sábado, 12 de abril de 2014

O REI CHEGOU O SIGAMOS

         

  A cidade de Jerusalém, foi invadida numa manhã de domingo por um bando de empobrecidos, doentes, camponeses, pecadores, curiosos... eram os desprezados do poder religioso e político, que agitavam ramos, galhos, folhas de arvore, que iam pegando ao longo do caminho. Essa gente que agora sai do anonimato, da periferia, adentra o centro da cidade causando confusão, alarido, gritavam, aclamando aquele que os conduziam:
"Hosana ao filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! hosana no mais alto dos céus", todos desse cortejo ouviram falar ou testemunharam Lázaro sendo ressuscitado por Jesus, após quatro dias no túmulo. Por isso o aclamam como rei, queriam um rei para resolver todos os problemas, o mais indicado é Jesus, pois multiplica pães, cura doentes, perdoa pecados ressuscita mortos... só não sabiam que o reinado de Jesus é espiritual, não material, político, "o meu reino não é deste mundo"(Jo-17,15) ficaram surpresos, embravecidos quando viram o Cristo sendo condenado, onde está o poder desse homem? esses mesmos vão gritar mais tarde crucifica-o!
  Surpresa e agitação maior teve a cidade diante de tanta manifestação, assustados perguntavam uns aos outros: quem é esse homem? referiam-se a quem estava sendo o centro daquele movimento, que com poder, determinação, conduzia a multidão, era um homem simples com vestes de pobre montado num jumento, sinal de humildade, verdade. O verdadeiro poder que habita em Jesus não é opulento, arrogante, é inclusivo, amoroso, diferente do poder dos imperadores dos reis e governantes deste mundo.
  Todos os quatros evangelistas descrevem a entrada de Jesus na cidade de Jerusalém. São Mateus mostra Jesus entrando nessa cidade montado num jumento, faz isso para resgatar uma antiga profecia de Zacarias: "Eis que vem a ti o teu rei, ele é justo e trás a salvação; ele é pobre e vem montado sobre um jumento, sobre um potrinho, filho de uma jumenta"
(Zac. 9,9). A profecia é para falar que o reinado de Jesus é de justiça, salvação, humildade. Em Lucas o povo o proclama Bendito "Bendito o Rei que vem em nome do Senhor! Paz no céu e gloria nas alturas!" Acontecimento de tamanha proporção nunca ocorrera. O trote simples e pequeno do jumento, simboliza, delicadeza, serenidade com que Jesus se aproxima dos seus. Diferente do trote da cavalaria imperial, que ao entrar na cidade provocava medo e repressão, com armas de guerras, estandartes do poder...
  Os que seguiam essa procissão, eram condizidos na expectativa de terem um rei triunfante pois o testemunharam por diversas vezes curando, perdoando pecados, o queriam como rei, para restaurar o que estava corrompido por uma politica podre, exploradora por uma religião da culpa, do ritualismo, do fardo. Encorajados respondiam a todo peito com voz firme: "este é o profeta Jesus, de Nazaré da Galileia". Jesus tem plena consciência das dores e exploração, tanto politica como religiosa que o povo sofria, ao conduzi-los deixava claro que tudo pode mudar para melhor, é para a frente que devemos caminhar, a historia se faz passo a passo, temos um longo caminho a percorrer. Jesus entrou na historia humana para nos lembrar da nossa participação no processo de transformação. A força, o poder emana do povo, categoria muita das vezes explorada de forma negativa por poderosos do mal.
  Assim também Jesus quer entrar na vida das pessoas, ele reconhece nossa pobreza espiritual, nossas dificuldades de caminhar, por isso ele passa na frente, quanto a nós, o sigamos com alegria, fé, determinação, percorramos também o dificultoso caminho da vida, muitas das vezes marcados por sofrimento, até morte, mas com fé aguardemos o glorioso dia da ressurreição.
Na liturgia católica esse acontecido marca o começo da Semana Santa, o Kairos de Deus agindo em Jesus, através da santa paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo que permeada de humilhação, dor, condenação e morte de cruz, resplandecerá adornada de brilho e luz na manhã da ressurreição, caminhemos pelas estradas da vida, erguendo, agitando nossas esperanças, a passos firmes sigamos a Jesus nosso guia: reze - Jesus eu vos peço, venha caminhar sempre do meu lado sejas minha doce e suave companhia no dia-dia do meu existir, firmai os meus passos, sejas luz na minha consciência, vitalidade no meu espírito, na procissão da minha vida eu quero sempre ser seu seguidor, com os meus irmãos e irmãs o seguirei proclamando seu teu amor para com todos e com tudo.

Pe. Antonio Gouveia.

sábado, 5 de abril de 2014

VIDA QUE SAI DO TUMULO


          Primeira leitura da missa do quinto domingo da quaresma, profecia de Ezequiel. Deus fala ao seu povo: "vou abrir as sepulturas, conduzir-vos para as terras de Israel, porei em vós o meu Espírito, então sabereis que eu sou o Senhor", o cumprimento da profecia acontece quando aceitamos Deus como nosso Senhor. Quando sua ajuda nos alcança. Cumpre-se no evangelho da ressurreição de Lazaro, nome hebraico, que significa, Deus ajudou. Busquemos com fé, ajuda de Deus, quando a morte bater em nossa porta, seja ele nosso consolo, esperança, repouso, ele é Senhor da eternidade, Deus da vida que rompe os nossos túmulos. 
         O salmo 129 descreve o clamor, confiante em Deus. Nele existe perdão, graça, redenção, ressurreição, rompimento das sepulturas. "No Senhor toda graça e redenção" (Sl-129), que nosso Senhor e Deus, em seu filho Jesus, remova a pedra que nos impede de sermos livres, perpasse-nos com sua graça, venha nos redimir. 
           Paulo, segunda leitura diz: os que vivem segundo o Espírito, pertencem a Cristo. Ainda que feridos de morte pelo pecado, o espírito está cheio de vida, graça, justiça. Cristo tem poder sobre a morte! boa nova que ele oferece ao mundo. Nos convida morrer para o pecado, para nele sermos ressuscitados pois o poder sobrenatural de Deus atua em favor dos homens e mulheres encarcerados em seus túmulos, apodrecidos pelo o pecado, serão purificados. A igreja celebra com solenidade na liturgia da vida páscoa cotidiana, a vivificação, agir de Deus, que em Cristo, no Espírito Santo perpassa a realidade material de nosso existir, "eu vim para que todos tenha vida e a tenham em abundancia" (Jo-10-10). A vida abundante, plena de ressurreição, é testemunhada na bíblia, como momentos de intervenção de Deus na pobreza humana, um Deus que vence a morte:
  • O profeta Elias ressuscitou o filho da viuvá de Sarepta (1Rs:17-19,22)
  • Eliseu ressuscitou o filho de Suném (2Rs 4: 32,37)
  • Uma discípula chamada Tabita ressuscitada por Pedro (At 9: 36,43)
  • O filho de Jairo (Mc: 5,38,42)
  • O filho da viuvá de Naim (Lc: 7,11,15)
  • A ressurreição coletiva logo após a morte de Jesus (Mt: 27,52,53).
  • Ressurreição feita por Paulo (At-20,9,10)
       Diante de tantos relatos cremos! Vitoriosos perguntamos: "onde estás ó morte, o teu aquilhão? onde estás ó inferno a tua vitoria" (1Col-15,55). A ressurreição de Lazaro é descrita por João evangelista. É claro sinal da manifestação de Deus, que concebe a vida como um itinerário que naturalmente leva-nos para si. As irmãs de Lazaro, Maria, Marta, mandam avisar à Jesus, "Senhor aquele que amas está doente", toda esperança neste ultimo momento, esta em Jesus o procuram com confiança. Diz Jesus: a doença não o leva a morte, mas através dela o filho de Deus será glorificado. Aquilo que para as pessoas é sinal de decadência, fim, torna-se para Jesus um meio de revelar ao mundo a grandeza de Deus. Pois  já fizera o mesmo  quando mostrou a seus discípulos sua luz na montanha, com a samaritana ao dar-lhe água da vida, com o cego ao curar-lhe os olhos.
       A notícia da doença do amigo não abala Jesus, dois dias depois, Jesus vai à Judeia, encontra Lazaro sepultado; "Há um tempo de nascer, tempo de morrer, tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou" (Ecl.-3,1), esse é o tempo que foge ao controle dos homens, seu querer. É tempo de amor, o kairos espaço da manifestação de Deus, em favor dos homens, mulheres. Jesus chegara, Marta vai até ele, Jesus a recebe, e com ela todos os sofridos, abatidos com os duros golpes de mortes "Vinde a mim todos vós que estais cansados e oprimidos e eu vos aliviarei" (Mc-11,28) Senhor se tivesses aqui, meu irmão não teria morrido, mas mesmo assim eu creio que o que pedires a Deus ele te concederás. Diz Jesus "teu irmão ressuscitara", sim na ressurreição do ultimo dia. Tomada de dor Marta não via o poder de Cristo. Os efeitos da morte de Lazaro a possuía, a tristeza estava lhe matando. Devemos tomar cuidado para não irmos ao túmulo junto os que morrem, a vida continua.
        Diz Jesus: "eu sou a ressurreição e vida. quem crê em mim, mesmo que morra viverá, e todo aquele que vive e crê em mim não morrerá jamais crês nisso?" reagindo, em Jesus que afirma "Eu sou a ressurreição e a vida" Marta professa sua fé "sim Senhor eu creio firmemente que és o Messias, o filho de Deus que devia vir ao mundo" Jesus perguntou: onde o colocaram?, vem ver, Jesus chorou. Não por causa da morte de Lazaro, chorou, para mostrar seu amor à todos os sofredores, compadecendo-se da humanidade. Alguns ao verem chorando diziam: vede como o amava, diziam: "abriu os olhos do cego, não podia também ter feito com que Lazaro não morresse", Jesus fica interiormente comovido, por causa da pouca fé daquele povo. 
    Chegando no tumulo diz Jesus: tirai a pedra!. Ao pedir Jesus deixa claro nossa participação no anuncio da salvação, sintamos -nos convidados por Jesus para remover as pedras, da opressão, egoismo, escravidão, desamor, causa da morte, túmulos para muitos Marta diz: cheira mal, fazem quatro dias que morreu. Diz Jesus: Marta não te disse que se creres verás a gloria de Deus? "Feliz todo aquele que põem sua confiança no senhor" (SL-2,12) Jesus olhando para o alto, reza "Pai eu te dou graças porque me ouvistes. Eu sei que sempre me escutas. Mas digo isso por causa do povo que me rodeia, para que creia que tu me enviastes" Com voz forte exclamou: "Lazaro vem para fora"
      O chamado de Jesus é sempre para a vida, para que deixemos a morte, saiamos das sepulturas do pecado. O morto saiu atado de mãos e pés, com os lençóis mortuários, e o rosto coberto com panos. Essa é a realidade, muito chegam até a buscar a vida, mas não conseguem se desatar das antigas amarras, permanecendo presos a velhos padrões de morte, falta de fé, desanimo, pecado... Disse Jesus: desatai-o e deixai-o caminhar! os nós precisam serem desfeitos, amarras destruídos, façamos isso através da evangelização, sendo vida não morte para o outro, pois é para a liberdade que Cristo nos libertou. Os judeus foram a casa de Maria e Marta, viram o que Jesus fizera, creram nele. O amor é o grande milagre que gera vida, Lazaro amado por Jesus é ressuscitado. Deus nos ama preserva nossa vida na sua, livra-nos da morte eterna. sejamos para aqueles que se encontram em situação de morte, um sinal de vida é esperança, juntos vamos, caminhemos para páscoa!. 


Pe. Antonio Gouveia

sábado, 29 de março de 2014

LAMA QUE LIMPA

           Orientado pelo Senhor, o profeta Samuel, foi à casa de Jessé, levando consigo óleo consagratório a fim de sagrar um novo rei. Disse-lhe o Senhor: "não olhes para a sua aparência, e nem para a sua grande estatura, porque eu o rejeitei, não julgo segundo os critérios dos homem: o homem vê as aparências mas o Senhor olha o coração" (1-Sm-16,3), com isso, Samuel rejeitou Eliab seu escolhido. A visão distorcida do profeta é um tipo de cegueira muito comum, o milagre é saber enxergar além das aparências e do aparente, o profeta pede que Jessé lhe apresente todos os seus filhos. O Senhor não escolheu nenhum deles, restava um que estava no campo cuidando das ovelhas, tratava-se de Davi o escolhido, esse fora ungido por Samuel. O Espírito do Senhor apodera-se de Davi, assim também todo batizado, crismado é um ungido, pertence ao Espírito de Senhor, disponível para a bem da comunidade.
       O salmo 22, fala-nos de Deus através da simbologia do pastor. Deus é o bom pastor. A poesia presente no salmo, descreve os campos verdes, águas repousantes, como trajeto que conduz para o descanso, o conduzido por Deus, ainda que enfrentando regiões tenebrosas não há o que temer, será servido em uma mesa de vitória, felicidade. Deus bom, eterno, pastor se fará presente não só nesta vida mas também na eternidade, onde habitarão para sempre por tempos infinitos, os que se deixam por ele conduzir. 
          Paulo, segunda leitura, fala da luz (visão) como antagonista das trevas (cegueira). Devemos viver na luz, diz Paulo, gerando frutos de luz: fé, justiça, verdade... já apontando para o cego que foi curado por Jesus, esse recebeu fé, abraçou, a verdade desfrutou da justiça. As trevas, será perpassadas pela luz do Cristo ressuscitado, nos atrairá para si "desperta tu que dormes, levanta-te (sair das trevas) dentre os mortos, e sobre ti o Cristo resplendecerá" (Ef-5,14).
      O evangelho do quarto domingo quaresmal, vem da sensibilidade de João evangelista. Mostra Jesus tirando um homem das trevas, curado-o de sua cegueira, inserido-o na comunidade."Ó Deus, luz de todo ser humano que vem a este mundo, iluminai nossos corações com o esplendor de vossa graça, para pensarmos sempre o que vos agrada e amar-vos de todo coração. Por Cristo nosso senhor" (M.r. pag-206) a igreja una, santa, católica, é intercessora junto a Deus em favor da humanidade, reconhece as trevas, seus efeitos nefastos, trevosos, tanto na historicidade, quanto na alma do ser humano. As trevas simbolizada na cegueira, é a  incapacidade de visão espiritual, que amarra o ser humano na escuridão, situação que favorece o opressor. Jesus enfrenta essa realidade, dando luz aos cegos, abrindo-lhes a consciência, ao cura-los aponta-lhes um novo horizonte, novas possibilidades de vencer o sistema opressor que o escraviza, cega. 
        O cego de nascença é curado, com cuspe de Jesus, e com terra. Cuspe (saliva), sinal da vida, sopro de Deus. Terra (transitório) pó, poeira, fragilidade. A terra é umidificada na saliva de Jesus, (o poder de Deus atua no fraco) daí surge uma lama que limpa os olhos, é vida nova!. Foi num sábado, a cura do cego, uma afronta para lei mosaica em vigência. Os fariseus ainda que sadios dos olhos carnais, eram cegos espiritual, prisioneiros de uma lei ultrapassada, "o sábado foi feito para o homem; não o homem para o sábado" (Mt-2-27), que era observada sem valorizar a vida, assim Jesus acrescenta à lei, o amor que liberta destacando o ser, a pessoa, o humano.
     Orientado por Jesus o cego vai lavar-se na piscina de Siloé, tirar a lama que Jesus aplicou-lhe nos seus olhos. O nome Siloé quer dizer enviado. Jesus ver no cego e sua limitação, um meio de revelar ao mundo a luz, o amor de Deus. Ao lavar-se nas águas de Siloé, cumpre-se o milagre, o ex-cego agora tornou-se  um enviado de Jesus. Podemos ver aqui o sacramento do batismo que nos insere na vida cristã, na igreja, nos purifica, escolhe-nos em Deus, como aconteceu com Davi, unge-nos, para enfrentar-mos os caminhos tenebrosos na luz de Deus. Diante da cura o miraculado é Interrogado pelos fariseus, opositores de Jesus: quem é que te curou? fui curado por um profeta, Jesus!, isso não agradou alguns fariseus que diziam: "este homem não vem de Deus pois não guarda o sábado" dividindo-se, outros diziam: "como pode um pecador fazer tantos sinais", um raio de luz já dividia-os, o ex-cego é expulso, pois afirmara que Jesus é um profeta, algo muito forte para os fariseus. Jesus o encontra já em perfeita visão e pergunta: "acreditas no filho do homem?", quem é para que eu creia? sou eu que fala contigo respondeu-lhe Jesus; disse-lhe, o agraciado;  eu creio senhor! "rios de água viva, correrão do coração de quem crê em min"(Jo-7-38), prostrou-se diante de Jesus, neste gesto se completa a purificação que teve inicio com a lama, feita da terra com saliva de Jesus, depois, no mergulho da piscina de Siloé. Ao prostrar-se mergulhou ele em Jesus, fonte de água viva. A santa missa reza, com o povo de Deus "Pelo mistério da encarnação, Jesus conduziu a luz da fé a humanidade que caminhava nas trevas, elevou a dignidade de filhos e filhas, os escravos do pecado, fazendo-os renascer das águas do batismo"(M.r.pag.205) .
     Vamos como povo orante pedir que Deus limpe os nossos olhos para que construamos um mundo com a prática e olhar de justiça.

Pe. Antonio Gouveia

sexta-feira, 21 de março de 2014

ÁGUA DIVINA, LAVA O PROFANO

       Na tentação no deserto (1º.d.q.) ao alto da montanha com seus discípulos, (2.°d.q.) as experiências vividas por Jesus, conduz a igreja povo de Deus, que medita, reza, caminha no mistério amoroso do pai, para páscoa. O terceiro domingo celebra o amor de Deus em Jesus Cristo, fonte de água viva, ele aplaca a sede da humanidade ressequida nas experiencias de ódio, rancor, trevas, falta de fé....O povo de Deus historicamente atormentado por causa da sede, não só de água, mas de amor, esperança, paz. O próprio Jesus, clamou "tenho sede" (Jo-19,28), através de sua sede na cruz, vemos a sede da humanidade. Só Jesus fonte eterna, borbulhante, cristalina, pura, dará descanso, frescor, saciará a sede umidificando nossa realidade humana para que brote no deserto da insegurança, um belo jardim irrigado em Jesus, única resposta criativa para as águas sujas que querem engolir a humanidade.
        Na primeira leitura, Moisés intercede à Deus em favor do povo que conduzia para terra prometida, revoltados, cansados, sedentos, vociferavam "porque nos fizeste sair do Egito?". Tal atitude acontece com muitos que se acostumam com as migalhas que o pecado dá, em total letargia não buscam libertação, se deixam afogar nas águas barrentas do pecado."se as águas do mar da vida quiserem te afogar segura na mão de Deus e vai"(canto popular)
         Moisés clama a Deus, que o diz: junte os anciãos e apoiado no cajado vá ao monte Horeb, fira com o cajado a rocha, dela sairá água. O cajado, simbolo da segurança que devemos ter em Deus, nosso apoio. A rocha, obstáculos que devem ser quebrados por nós, em Deus. Esse lugar, passou a chamar-se Massa e Meriba, palavras traduzidas por tentação, reclamação, naquele lugar o povo foi tentado, reclamou contra Deus.
      O salmo 94, reza pedindo "Não fecheis hoje o vosso coração, mas ouvi a voz do senhor! a ele o nosso louvor, nossa alegria, vamos celebrá-lo, é Deus que nos conduz". Os saciados em Deus são conduzidos por ele, louva, celebra, de coração aberto deixam-se inundar nas águas da alegria. 
          Paulo, segunda leitura diz, somos justificados na fé em Jesus Cristo, mediador. Na nova aliança, ele conduz todos para casa do pai com Espírito Santo que derrama amor de Deus nos corações, no início de tudo, Deus já nos assistia, amando-nos quando éramos sedentos, cativos do pecado. 
        No evangelho, o encontro de Jesus com a samaritana ao redor de um poço. Este relato é descrito só no evangelho de João. A samaritana representa a humanidade sedenta. O poço,símbolo da profundidade, conhecimento. A água, citada na bíblia mais de trezentas vezes, simboliza, morte, ex. o diluvio, o mar vermelho destruindo Faraó, seu exército...também vida, em Jesus água da nova criação, beleza, fé, transparência, verdade, luz, nos lembra o batismo "banhados em Cristo, somos uma nova criatura as coisas velhas já se passaram somos nascidos de novo"(canto popular). Água é fundamental para manutenção da vida, vem do profundo da terra. Assim como conhecimento que vem do profundo das experiências vividas. O acontecido se deu, meio dia, hora divina, tempo de Deus. Hora que Jesus é condenado por Pilatos e dá  ao mundo água viva que jorrou do seu lado aberto pela lança, no alto da cruz.
     Jesus pede: "Dai-me de beber". Houve estranheza; samaritanos e judeus não se davam bem, assim como a terra e as realidades divinas que também não se dão. Jesus, alimenta-se fazendo a vontade do pai que restaura tudo na palavra, sopro, saliva que umidifica a secura da existencial mortal, realiza a obra semeando amor através da fonte de água viva, que lava, purifica, dá vida nova aos que nele saciarem sua sede. Receber esta água é reconhecer Jesus como salvador, adora-lo em espírito e verdade. Com igreja católica aquela que adora Jesus, vivamos a verdade, banhemos o espirito nas águas regeneradoras, nela saciaremos a sede da humanidade. A igreja una santa católica remando nas águas do mundo semeia: fé, amor, perdão, caridade, solidariedade, atitudes que aplacam a secura do desamor, "quem tem sede venha! quem desejar receba gratuitamente água da vida!" (Ap-22,17).


Pe. Antonio Gouveia

sábado, 15 de março de 2014

LUZ INACESSÍVEL, É DOADA NO AMOR

         A primeira leitura do segundo domingo da quaresma, é tirada do livro de gênesis 12-1-4, descreve, Deus orientando o patriarca Abrão a sair do meio dos seus, buscar a terra que vai mostrar-lhe. Aquele que escuta o Senhor, caminha na sua luz, é um ser transformado, transfigurado. Abrão obedece, sai da sua realidade comum. Somos convidados a sairmos de nossas atividades corriqueiras, mesmices. Pedro, Tiago, João, deixam o dia-a-dia, com Cristo sobem a montanha. Estejamos à disposição de Deus, que seu filho Jesus nos leve para montanha, mostre-nos a luz, destrua as trevas do nosso interior, curando-nos no fundo de nossa alma, moldando em nós o ser espiritual, figura do Cristo. transfigurado-nos. Sejamos luz, na nossa comunidade, na nossa paróquia, sejamos luz do mundo, no mundo!
          O salmo trinta e dois, destaca, os feitos do Senhor, merecem fé, podem nos transformar, sua palavra conduz ao direito a justiça, essas práticas transforma a sociedade, edificam a esperança, nosso alimentando em tempos de penúria, Deus é  senhor, nosso auxílio, proteção. Paulo, pede a Timóteo na segunda leitura, "sofre comigo pelo o evangelho", sofrer é pregar o evangelho em qualquer situação, romper as trevas, subir a montanha, símbolo das dificuldades, transformar pessoas, desentreva-las (tirar das trevas) Deus nos chama à vocação santa, na graça de Cristo, que chegou até nós, eternizando-nos, transfigurando-nos de mortais em eternos! ainda que meios as coisas passageiras. Eternidade se cumpre na luz de Cristo, transfigura-nos por meio do Evangelho, boa nova de, esperança, fé, amor, perdão, caridade, tudo que deriva de Luz. 
       O evangelista Mateus, domingo passado primeiro da quaresma, descreveu Jesus Cristo no deserto, jejuando, orando, sendo incomodado por uma persona non grata, (diabo) expulso por Jesus, retira-se. Após esse incidente, Jesus é servido pelos anjos. No segundo domingo da quaresma, acompanhado de três dos seus discípulos: Pedro, Tiago, João, vão ao alto, sobem a montanha, esses dois últimos, são irmãos, filhos de Zebedeu com Salomé, lá Jesus mostra-lhes sua luz, seu poder sobrenatural. Porque esses três?:
  • "Pedro, porque amava Jesus mais do que os outros. 
  • João, porque era amado por Jesus, mais do que os outros. 
  • Tiago porque se unirá na resposta do irmão, João, sim podemos beber do teu cálice'' (São João Crisóstomo).
Esses discípulos privilegiados, participaram juntos de momentos importantes com Jesus: 
  • A ressurreição da filha de Jairo. 
  • Na agonia do Senhor no Horto das oliveiras. 
  • Neste solene ato da transfiguração. 
           A transfiguração os fez verem aquilo que Jesus sempre quis mostrar, o poder de Deus, aqui simbolizado na luz que consome as trevas, resultante do pecado de Adão e Eva, que por muito tempo empobreceu todos. Agora implodida, através da transfiguração, luz radiante de Jesus, sol da justiça brilhando em todo em seu esplendor. 
       Moisés, Elias, estão presentes, no relato teofânico, o primeiro conduziu o povo Deus no deserto. O segundo foi arrebatado, em carruagem de fogo por Deus, cada um fez sua subida, escalaram suas montanhas. Duas alianças, a lei, (Moisés, Elias) o amor, (Jesus) se encontram rompendo as trevas quebrando julgo, para a misericórdia reinar. Pedro deseja eternizar esse momento na terra, envolvido, sentindo minuto a minuto, cada sinal fala, "Senhor é bom ficarmos aqui. Se queres vou fazer três tendas: uma para ti, para Moisés e outra para Elias", no futuro quando receber as chaves do céu, edificará, a grande tenda para a humanidade, a igreja" Pois também eu te digo que tu és pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno (trevas) não prevalecerão contra ela: eu te darei as chaves do reino dos céus" (Mt -16,18). Uma nuvem luminosa os cobre, uma voz diz: "Este é o meu filho amado, no qual eu pus todo o meu agrado, escutai-o" envolvente, intenso, solene divino, é este acontecimento, os discípulos assustados caíram com o rosto por terra, libertando-se das trevas interiores, dos medos... Cristo os levanta, erguendo-os na luz em uma nova figura, novo conhecimento e compreensão. Não como antes, estão para sempre iluminados. Descem da montanha para iluminar o mundo as pessoas, guardando a pedido de Jesus este acontecido, (meditando), logo o mundo todo verá Cristo transfigurado, ressuscitado. A igreja serva orante de Deus em favor da humanidade, reza na oração da coleta da missa da transfiguração do Senhor "Ó Deus, que nos mandastes ouvir o vosso filho amado, alimentai o nosso espírito com a vossa palavra, para que purificado o olhar de nossa fé, nos alegremos com a visão de vossa glória" (Mr pg. 188), includidos nesta glória, Cristo filho de Deus, nosso bondoso salvador deseja nos transfigurar.

Pe. Antonio Gouveia

terça-feira, 4 de março de 2014

KAIROS, TEMPO DE MISERICORDIA

        A quaresma, é um tempo de profunda espiritualidade, que a igreja oferece aos seus filhos, a fim de que possam viver uma experiência de santidade, a mesma propõe, convida todos, à reconciliação consigo, com Deus, com o próximo. O desejo da santa mãe Igreja é conduzir, preparar o povo de Deus para a páscoa, passagem para uma vida de serviço,comunhão e santidade.
     Como retiro espiritual, a quaresma pede quatro praticas de fé: jejum, oração, penitência, caridade. Contemplamos o mistério eterno e bondoso de Deus pai, que veio fazer morada no nosso meio, através da virgem Maria, escolhida por Deus, abraçada pelo Espírito Santo, gerou com caridade, nosso salvador Jesus Cristo, a partir do nascimento, morte e ressurreição do filho de Deus, entramos no mistério amoroso da pai, recebendo graças sobre graças.
     A palavra quaresma, vem do forte simbolismo do numero quarenta, "trata-se de um numero que exprime o tempo da expectativa, de purificação, do regresso ao senhor e da consciência de que Deus é fiel ás suas promessas" (Bento XVI) que nos remete ao longo caminho percorrido em busca de Deus, experiência vivenciada por muitos na história da salvação:
  • Os quarenta dias do diluvio, que purificou a terra, por vontade de Deus surge uma nova terra. 
  • Por quarenta anos caminhou o povo de Deus em busca da terra prometida. 
  • O profeta Elias, leva quarenta dias, para chegar ao monte Horeb, lá encontra-se com Deus (1 Rs-19,8)
  • O povo de Nínive faz penitência por quarenta dias para receber o perdão de Deus. (Gn-3,4) 
  • Jesus foi levado ao templo quarenta dias após seu nascimento (Lc 2,22). 
  • Depois da ressurreição Jesus permanece quarenta dias  no meio dos discípulos (At-31,3) 
  • O próprio Jesus Cristo, realiza a sua quaresma, no silêncio, que é o deserto, com jejum e oração. 
        A quaresma, não é só um tempo cronológico: tempo medido, mas, é um kairós de Deus oferecido com amor à todos. A igreja abre as portas de sua  rica experiência, convidando-nos para essa mística, com uma chamada para o ser humano, a mesma nos alerta lutarmos contra o pecado, revestindo-nos com a oração, conversão, penitência e caridade, tudo começa com a celebração da humildade, a celebração das cinzas, momento forte que abre a quaresma para todos, confrontando o ser humano com sua fraqueza "Lembra-te de que és pó e ao pó voltarás" (Gn.3-19
        A fragilidade humana sujeita a morte, é socorrida com a luz, o poder da verdade de Deus. Vivamos este kairós que a Igreja nos disponibiliza, o tempo de Deus, o momento oportuno, momento supremo para em Cristo deixarmos a nossa fraqueza e mortalidade serem revestidas pela a misericórdia de Deus.

Pe. Antonio Gouveia

sábado, 1 de março de 2014

DINHEIRO, O DEUS QUE NÃO CUMPRE PROMESSAS

          O salmo da missa do oitavo domingo do tempo comum, descreve uma afirmativa pessoal de fé "só em Deus a minha alma tem repouso, só ele é meu rochedo e salvação", professar esta verdade, implica em ter bastante cuidado para não se deixar arrastar aos deuses falsos. É o que nos alerta o evangelista são Mateus "vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro". O deus idolatrado, deus deste mundo é o dinheiro, o mesmo tem uma estrutura religiosa, basta analisarmos; tem uma igreja; é o banco. Seus sacerdotes, ministros, servidores, que são os banqueiros do mundo inteiro. Tem também uma grande legião de fieis, que lhe prestam culto de adoração, são todos os tipos de correntistas. O deus-dinheiro é protegido em um especie de sacrário, que é o cofre, guardado na igreja do deus-dinheiro, o banco, também tem suas leis a serem fielmente observadas, por exemplo:
  • é pecado passar cheque sem fundo. 
  • atrasar pagamentos.
  • ter que ficar na fila para ser atendido.
  • marcar, aguardar hora para confessar (conversar) com o gerente que faz as vezes do pastor, sacerdote... 
  • ser punido quando errar, ex. limite reduzido.
  •  pagar dízimo (taxas).
            O dinheiro é um deus que enlouquece, escraviza seus filhos, "o que faz o homem feliz não é o dinheiro, é a retidão e a prudencia" (Demócrito) é o dinheiro que deve servir o ser humano, não o contrario "se fizeres do dinheiro o teu deus ele atormentar-te-á como o demônio" ( Henry Fieldeng) os resultados em servir esse deus é a insegurança, a falta de fé, pois como desvairado o ser humano corre atrás desse deus, essas atitudes toma conta do ser humano,que consumindo-se em preocupações, desprezam a Deus, pai e criador. 
            O salmo descreve o estrondoso poder de  Deus com imagem fortes de rochedo, salvação, fortaleza, segurança, refugio, a esse Deus devemos servir, pois ao contrario do deus-dinheiro, ele nos procura, nos aceita, diz Paulo "que todo o mundo nos considere como servidores de Cristo e administradores do mistérios de Deus", a vida, fé, caridade, compaixão, honestidade,o próximo...
          A fé é um mistério de Deus oferecido aos homens,  mulheres, é o equilíbrio da vida religiosa a mesma deve ser vivida, praticada com sabedoria, amor que vem de Deus, luz do conhecimento. Dois exemplos de confiança em Deus é apresentado no santo Evangelho: os pássaros dos céus e os lírios dos campos. Sejamos pois como os pássaros, busquemos o alto isto é Deus, mas com os pés firmes no chão da realidade do dia-a-dia, como as plantas fixa na terra (os lírios), sem perder a seiva profunda e verdadeira fé, com esperança, coragem, busquemos em Cristo o reino de Deus, sua justiça,"O meu reino não é deste mundo" (Jo-18,36) pois o reino de Cristo esta em oposição ao reino do dinheiro, que dita a vida dos pagãos, segundo o evangelista, vivem preocupados, com o que comer; o estomago, gula. o que vestir, a aparência, luxuria, praticas de culto do deus pagão, o dinheiro.
       A igreja una, santa, católica, agindo no Espírito Santo, nas palavras de Jesus, convoca todos os seus filhos, filhas a caminharem firmes na fé, esperando, confiando em Deus, "Vosso pai que está nos céus sabe que precisais de tudo isso, pelo o contrario, buscai em primeiro lugar o reino de Deus e sua justiça, e todas as coisas serão dadas por acréscimo".
       Peçamos ao Espírito Santo, que nos revista de sabedoria para servir o Cristo no próximo. Termos sempre a graça da fé em Deus, só nele esperar. Busquemos o auxílio dos anjos, dos santos, a fim de que tenhamos forças para viver o amor, a solidariedade, buscando na providência de Deus a pratica do amor ao próximo e uma vida de fé, como fizeram São José e a Santa Virgem Maria.

Pe.Antonio Gouveia